Deepfake contra sua campanha: o que fazer nas primeiras horas
Um vídeo ou áudio falso gerado por IA contra o candidato se espalha em minutos. A diferença entre conter o dano e ver a peça viralizar costuma estar nas primeiras horas. Este é o roteiro de resposta que toda coordenação de campanha deveria ter pronto antes de precisar.
1. Preserve a prova antes de qualquer coisa
Antes de denunciar ou pedir remoção, registre tudo: capturas de tela com data e hora, o link original, o perfil que publicou e o alcance no momento. Se a peça for removida depois, a prova preservada é o que sustenta a representação. Não compartilhe o conteúdo para "alertar" — isso amplia o alcance e pode prejudicar a sua própria campanha.
2. Notifique a plataforma
As plataformas digitais têm dever de cuidado e respondem solidariamente se, após notificação, não removerem imediatamente conteúdo sintético ilegal. Use os canais oficiais de denúncia da plataforma e guarde o protocolo. A notificação formal inicia o relógio da responsabilidade da plataforma.
3. Acione a Justiça Eleitoral
O deepfake para prejudicar candidatura é vedado em qualquer período. Cabe representação ao TSE/TRE com pedido de remoção e direito de resposta, além da multa do art. 57-D da Lei nº 9.504/1997 (R$ 5 mil a R$ 30 mil). A atuação aqui é privativa de advogado.
4. Comunique com estratégia, não com desespero
A resposta pública deve ser sóbria, factual e curta: afirmar que o conteúdo é falso e gerado por IA, informar que as medidas legais já foram tomadas, e não repetir o conteúdo falso. Amplificar a peça para "desmentir" é o erro mais comum.